domingo, 25 de outubro de 2009
Um Fruto de Seres Inconsistentes
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
21 felizes aniversários
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Sombra
Ela só queria respirar em paz,
Mas como isso custa!
Dói.
Suas coisas sempre iniciam como uma bomba;
A novidade de uma idéia, seu novo brinquedo;
Mas sempre termina só.
Suas mãos dentro da luva, tentando esconder as lágrimas;
A novidade foi embora
Como tudo isso dói,
Custa!
-
Que não se tenha mais vontade
Onde não reside mais o desejo,
Deixe sua vida necrosar
Deixe sua vida
Necrose.
-
Nada vai adiantar agora,
É tarde demais
Mas, estendo meus braços a você
Já está na hora de irmos.
-
Não se engane, jamais se encontrará em um espaço como esse
Sua vida nunca valeu para o mínimo esforço alheio
Essa é a verdade escondida nas coisas
E daí!? Para quê por significados inúteis?
Não há mais nada
Para quê gastar tanta energia porque tirou mais um dez
Outro brinquedo sem significado.
-
Mas, eu estendo meus braços a você
Já estar na hora de irmos
Se só queria respirar em paz,
Deixe, então, sua vida necrosar...
Mas como isso dói!
Quanto custa?
-
Era terça de manhã, quando eu encontrei os seus lençóis espalhados. O café não estava na mesa, como o usual. O vazio me tomou outra vez e a respiração se tornou ofegante, como o produto de uma ânsia de morte. Não havia mais nada a se fazer, fora me encolher atrás da porta e esperar que você voltasse.
-
No teto estava escrito: eu não amo!
Eu não vi.
sábado, 26 de setembro de 2009
A menina do rosto vermelho e o médico precipitado (1995 – 2009)
Não destrua a fantasia da criança, minha senhora.
Não a deixe imaginar tanto as coisas, mas não retire abruptamente o que ela sonha.
Sim, era de manhã doutor. O céu estava bem azul naquele dia. 06:20h a.m., ela me pediu para pegar a mala azul para sairmos logo de casa. Estava frio. Eu estava nervoso. O suco do lanche deveria ser de abacaxi e estava dentro da garrafinha também azul. Era a primeira vez que eu passaria uma manhã fora de casa.
Um imenso erro!
Minha mãe me segurava pela mão direita, como sempre foi. Eu, como sempre, tentando parecer ‘o mais adulto possível’, engolindo o catarro amargo do choro... calado. O sol leve irradiava contra minha visão turva e a brisa fria sussurrava em meus ouvidos o que eu não queria ouvir: a fantasia acabara. Os passos dobravam às ruas cheias de mães e suas respectivas crianças ‘tão normais’, e eu tentava esconder o que sentia para aparentar uma certa ‘normalidade’.
Cerca de doze minutos depois estava entrando no Instituto de Ensino Maria de Fátima. Eu me tremia todo. Certamente, o fim seria mesmo aquele. Minha mãe ficou próximo à porta, enquanto me indicava a fila da turma da segunda série. A professora (tia) Ângela tentava organizar a fila quando eu fiquei travado em algum lugar dela. Era sim a fila da segunda série. Eu estava mudo, e sempre olhando pra minha mãe, que de longe observava. A fila seguiu para o ‘quintal’ do Instituto e entrou num corredor longo, onde havia umas dez salas. A primeira era a nossa.
Havia cerca de cinco filas naquela sala imensa. Eu sentei na fila extremo-direita da sala, numa cadeira de posição mediana. Tia Ângela confabulava palavras distorcidas, mas o que ainda lembro é olhar para o caderno pequeno, com as linhas azuis da margem borradas do meu choro constante. Tentava fazer de tudo para que ninguém me percebesse: olhava para o lado e via algumas crianças, voltava para mim, passava o braço no nariz encharcado de catarro. E tia Ângela parava a aula outra vez para perguntar o motivo deu chorar tanto. Nessas horas eu berrava mais.
Não prestei atenção em nada.
Uma sirene tocou, indicando que começara o ‘recreio’. Esperei todos saírem para que não me notassem comendo o meu lanche. Fiquei comendo só em frente da porta da sala. Pela primeira vez, eu tentava fazer tudo sozinho. Meu lanche era um suco feito pela minha mãe e uma bolacha dos ‘Gufs’, sabor chocolate. Adorava comer aquilo. Pena que, para minha surpresa, o lanche só me veio à boca uma vez, já que a sirene não me esperou comer o resto. O recreio agora só tinha vinte minutos, e não mais uma hora como na Escolinha Uma Estrela.
Até o fim do resto da manhã, em aula, procurava pensar em outra coisa, mas acabava sempre voltando a pensar em minha mãe. Sempre teorizava ‘o que ela deve estar fazendo agora?’, ‘está ensinando os novos alunos dela agora?’, ‘eu queria ser aluno dela de novo...’. Tia Ângela: ‘Crianças, façam o cabeçalho. Eu vou tomar água e volto já.” Eu penso: ‘como se faz um cabeçalho?... quero minha mãe...” Choro outra vez, e ouço tia Ângela falar pacientemente que eu esperasse mais um pouquinho.
Março, 1995.
Estou sendo levado outra vez para o Instituto e minha mãe pára comigo na esquina da rua que dá para o colégio. Ela me diz que é pra eu ir sozinho até lá. Maldita estratégia! Ela me promete que vai esperar na esquina até eu entrar no colégio. Assim foi, basicamente, o último choro.
No que sobrou daquele ano...
O nome dela era Daniele, era baixa, branca, e tinha sete anos naquela época. Ainda lembro nitidamente do rosto e o constante gesto de apertar minhas bochechas, julgando sempre que eu era o ‘bebê lindo’ da sala. Reinventei-me. Tornei-me um personagem principal de um filme alegre, mas sofrido. A musa Daniele se vestia como um objeto desejado e temido, impossível, embora mágico. Across the Universe seguida de All My Loving eram as músicas que me faziam lembrar de Daniele, constantemente. Aprendi a esconder o que eu sentia, aprendi a me esconder e, assim, me relacionar com os outros fingindo um ser uma criança mais ‘madura’. Aprendi a desarnar no mundo.
Contudo, algo em mim havia morrido, e estava apodrecendo por dentro.
Lembro de uma manhã, no pátio do Instituto. Era pega-pega a brincadeira do momento. As nuvens estavam vermelhas e, com o tempo nublado, todo o cenário ficou vermelho. Ficou conhecida como ‘a manhã vermelha’ por alguns dos meus colegas (Roberto, Yuri, Magnum e Gustavo). Assim, segunda série se foi e levou Daniele junto com ela. Daniele vivia só com a mãe. As duas se mudaram, não lembro pra onde. Isso me foi dito só uma vez, quando minha mãe me levou pra casa junto com Daniele, que morava perto de nós e a conversa se desenrolou nesse sentido.
Agosto, 2009
-Washington, você sabe muito bem que terminamos numa tumba, não é?
-Sim. Há muitos reflexos, não há como desviar.
-Então, o que você ainda está fazendo aqui?
Lapso!
domingo, 20 de setembro de 2009
Os Meus Olhos e Os Seus
sábado, 22 de agosto de 2009
Dernière Existence
Resistir ao acampamento?
São muitas horas até chegar a hora da festa,
no fim da tarde.
Quantas dúvidas, nobre senhor
Pergunto-me se você virá ao espetáculo
Mas nada me responde, fora um olhar vazio que solta em várias direções
E daí?
Também não é pra tanto,
Preocupar-se por nós dois... Não é tanto!
Agora é só sentar aqui
O que devemos fazer é mais nada
Não nos resta mais o que fazer aqui
Trouxe sanduíche e suco para nós
Para quê se preocupar com nossa nobre ciência
nunca fomos livres mesmo?
Sabe, é minha última vez aqui
Confesso-te as melhores e piores coisas, tento compartilhar
Mas seu olhar vazio me é suspeito
Pergunto o que você perdeu
Você não se abre
Não se diz
Não se teme
Se teme
Se fala
Se treme
Não fala
Vazio
Abraço-te e olhamos para baixo
Não há nada o que dizer
Mas há o que se envergonhar
As ondas batem de novo em nossos pés
Há nada de bonito no que se deveria enxergar
O ônibus está próximo
O vazio te pegunta quando eu vou voltar
Ele já sabe a resposta.
A tarde vai indo embora
Num sopro em respiração fria
O cantor da praça desafina e eu sinto algo tremer
Está gelando
Parando
Contida, destrói um inseto imerso em sua pele
E volta seu braço a meu torno
Pergunta outra vez quando estarei de volta
Quando nunca mais isso se tornar minha febre noturna
Ou numa apresentação do fim das minhas amizades
Quando o sempre parecer nunca mais
Ou se meus dias esquecerem dos objetos perdidos
Nesse olho vazio.
A respiração pulsa
E se vai...
Cansa... enjoa... enoja...
E agora?
Ainda bem que os amigos não são eternos
Ainda bem que não existem momentos eternos
Quão tola
Quão inútil
Quão burro
Eu já deixei todos os presentes,
Todas as cartas
Você que não existe
E o meu amor é uma confusão dançando num olho vazio
Que nada diz e tudo me duvida
Olhe para o céu e se levante
Eu olho para a esquerda
Se tu quiser, olha para a direita
Dá o teu primeiro passo
Eu sigo, em direção contrária, para longe
Você não vai olhar pra trás
Eu ando de costas
A imagem vai
Longe se apaga
O sol desceu
Você foi embora
A liberdade foi embora
Restaram todos os meus fantasmas
Que viverão comigo em minha própria dança
Cairei numa borboleta
E morrerei em seu teto
Para você soprar o meu pó
E lhe impressionar na saudade do seu quarto
Minha querida velhice
Doce velhice
Em meu violão
Em minha cama
Em meu sapato
Em minhas camisas
Em sua respiração
Seus olhos
Serei o que nunca viu
Ainda bem que não somos eternos
Ainda bem que tudo morre.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Foi-se
eu nunca nasci, nem morri
só fui embora
para longe
muito longe...